INFORMATIVO DOS LEIGOS ESTIGMATINOS

Julho - Agosto - Ano VI - nº 42 - ESPECIAL

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ÍNDICE COM LINKS


“O filho pródigo”

“Monges em casa e apóstolos fora”

Sobre as conquistas e perspectivas

Amar, apesar de tudo

Caminho percorrido pela FABER

Encontro com Bertoni

Reconhecendo-nos Filhos do mesmo Pai

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“O filho pródigo”

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         O informativo está de volta! Com muita alegria ele segue sua vocação...

         Muitas coisas boas aconteceram durante esse retiro. Foi muito prazeroso constatar como ele é aguardado por muitos, que, ligando ou enviando e-mails, demonstraram interesse pela razão de sua ausência. Fico grata pelo carinho de todos, em especial à FABER/Itararé pela fidelidade e zelo a esse informativo, que sempre envia uma matéria anexa à sua contribuição financeira. Peço-lhe desculpa e sua compreensão por não publicá-las nesta edição.        

         Bom, todos já sabem que o Pe. Jordélio Siles Ledo é nosso novo diretor espiritual. Saibam também que ele chegou muito entusiasmado! Já pôs a “mão na massa“ e tem também muitos projetos para a FABER!

         Seja bem-vindo ao nosso meio Pe. Jordélio e saboreie a calorosa acolhida, característica também dos leigos estigmatinos! Deus o abençoe nessa nova jornada e São Gaspar interceda em favor do sucesso de seus planos!

         É... Nem sempre estamos atentos aos planos que Deus tem para nós! “Nem podemos imaginar as grandezas que Deus realizaria em nós e por nós se não dificultássemos a ação de Sua graça, mas nos colocássemos livre e inteiramente em suas mãos” (São Gaspar).  Uma prova disso, em nossos dias, é o que presenciou Pe. Mário Zuchetto.

         Vocês se lembram que durante todo o ano passado rezamos pelo Capítulo Geral? Ocorreu em Brasília, em fevereiro e, entre outras coisas, dele resultou uma carta dirigida aos leigos estigmatinos. Sintam a sua intensidade.

         Em maio, também estivemos em pauta. Leiam o relatório sobre a FABER - conquistas e perspectivas - que o Pe. Pértile apresentou no Capítulo Provincial. Somos-lhe muito gratos pelo carinho dedicado a FABER durante sua permanência no Conselho Provincial. Deus o abençoe!

         Os ventos sopram em nosso favor!

         Deus sempre favorece aqueles que O buscam em comunidade. Cada vez mais fica-me claro que essa Força dentro de cada um nós, só se revela na unidade, por isso, nós da FABER, estamos atingindo nossos objetivos.

         De fato, é grande nossa conquista e, ainda ao olhar para frente, vemos que, como disse o Pe. Paulo, as possibilidades ainda são muitas. O terreno é fértil e estamos bem firmes em nossos propósitos. Porém, um de nossos maiores sonhos ainda não foi concretizado: o envolvimento da juventude na FABER! Em nome de todas as FABERs ouso assumir o compromisso de realizá-lo muito em breve! Conto com esforço de todos! Lembrem-se: os desafios sempre nos impulsionaram!

         Ao Pe. Paulo Staut  - o grande motivador da FABER (como disse Pe. Mariani) - nossa eterna gratidão por tudo que nos transmitiu durante todos estes anos caminhando conosco e pelos exemplos deixados. Entre eles, o reconhecimento, carinho e respeito pela sua família religiosa e seu amor pelo “pai” São Gaspar. Também, pelo seu positivismo, dinamismo, perseverança, entusiasmo... Que as bênçãos de Deus e a intercessão de São Gaspar o acompanhem sempre em seu caminho!

RITA

PERSPECTIVAS

“Monges em casa e apóstolos fora”

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Este foi o tema aprofundado por toda a nossa congregação em vista da preparação ao Capítulo Geral de janeiro de 2006. Embora esta frase não seja de São Gaspar, ela passou a fazer parte do espírito estigmatino, da nossa tradição, da nossa história e, portanto, do nosso jeito de ser. Em poucas palavras, ela tem a ver com nossa identidade estigmatina. Pode-se afirmar que é a melhor maneira de dizer o que estava no coração de São Gaspar quando ele passou a sonhar com esta família religiosa à qual nós pertencemos. Uma coisa é certa: mergulhando em cada palavra contida nesta frase e contemplando os propósitos de Bertoni, chegamos a conclusão de que duas são as colunas que sustentam o nosso INSTITUTO RELIGIOSO, a saber: a contemplação -(MONGES EM CASA) e a ação (APÓSTOLOS FORA). É interessante observar como nosso fundador conseguiu unir estes dois pilares da autêntica vida cristã: ESPIRITUALIDADE E MISSÃO, pois “para o nosso fundador a fecundidade da Missão Apostólica está na força do Espírito”. Isso significa que a missão nasce de uma profunda VIDA INTERIOR - FAMILIARIDADE COM DEUS.

         Vejamos alguns pensamentos bertonianos que reforçam o que estamos aprofundando:

“A vida ativa não é suficiente para servir a Cristo; ela necessita da ajuda da vida contemplativa” (manuscritos do Bertoni). “Quando não se reza bem antes, não se pode falar bem nem mesmo de Deus” (Memorial Privado). “Frequentemente temos o Senhor nos lábios para dá-Lo aos outros, mas pouco nos preocupamos em tê-Lo no CORAÇÃO” (Memorial Privado). Resumindo: não há outro caminho senão a UNIÃO COM DEUS. Sem ela caímos numa vida apostólica digna de compaixão. Tornamo-nos anunciadores entusiasmados, mas... extremamente vaidosos. Belíssimos pregadores, mas... péssimas testemunhas. Palavras bonitas e frases bem feitas, mas... sem as cores da SANTIDADE. Muita movimentação, muito ativismo, muitas correrias, mas... pouco silêncio, pouco deserto, pouco confronto com a Palavra de Deus, pouco RECOLHIMENTO. Grande exaltação de si mesmo, mas... pouca cruz. Estes são sinais de que o “CRISTO AINDA NÃO HABITA EM MIM”, ou seja, está faltando REPRODUZIR EM NÓS OS TRAÇOS DE JESUS”.  A passagem do VELHO para o NOVO - A CONVERSÃO - enfim, A VIDA NOVA não conseguiu sair dos discursos. Falta passar pela PORTA ESTREITA.

         O que podemos concluir com isso?

1 - O missionário, se não é contemplativo, não pode anunciar Cristo de modo verdadeiro; 2 - Sem uma vida interior de amor que atraia a si o Verbo, o Pai e o Espírito, não pode haver um olhar de fé; 3 - Uma autêntica vida espiritual exige que dediquemos, todos os dias, momentos apropriados para aprofundarmos o diálogo silencioso com Aquele por quem sabemos ser amados, a fim de partilhar com Ele a própria vida e receber força para a caminhada cotidiana; 4 - “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim”. (Jo 15,4); 5 - A oração nos une a Deus, enche-nos de coragem, luz e força. Se o Senhor não nos assistir, nossas palavras desaparecerão no vento; ela é a chave dos tesouros de Deus (S. Gaspar); 6 - A missão tem origem no encontro com o Cristo vivo, presente na Eucaristia, na Palavra e no próximo. Os encontros com o Cristo vivo, registrados nos Evangelhos, são sempre fonte de missão; 7 - Do encontro com o Cristo vivo pela fé, pela oração, pela eucaristia, nasce a santidade de vida. Sem santidade de vida, também não existe missão. Os grandes missionários foram também grandes santos. É o Espírito que nos leva à missão. Ele é também o primeiro missionário, aquele que chega antes de todos para preparar o terreno. Sem ele a missão não se realiza. Foi o próprio Cristo quem anunciou: “Sereis revestidos de uma força do Alto, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, na Samaria e até os confins da Terra” (At 1,8).

         Na verdade, estamos sendo convidados a olhar para nossa vida de “estigmatinos” e verificar como está o nosso progresso como cristãos que querem viver o batismo à luz dos ensinamentos de Gaspar. A propósito, esta é a intenção do RETIRO ANUAL -OLHAR PARA SÃO GASPAR E OLHAR PARA NÓS. Hoje faremos a experiência “Monges em Casa”. Sabemos que não é fácil parar. Evitamos ficar em silêncio na presença do Senhor. Parece que isso nos incomoda muito. Quanto mais nos aproximamos da LUZ mais nos damos conta das nossas sombras. É por isso que ouvir a voz de Deus nem sempre é agradável. Fugir deste confronto não é a mesma coisa que fugir de nós mesmos? Como saber se estamos caminhando na direção certa senão através deste encontro com aquele que tudo sabe, autor de tudo e Senhor da Vida? Bem dizia São Gaspar: “Os que são muito inclinados a ação devem ser alertados para a oração; os que se apegam demais à oração convém impeli-los à ação”. O equilíbrio é fundamental. Nem tanto o mar nem tanto a terra.

         E nós, com estamos na nossa espiritualidade e na nossa vida apostólica? Estamos mais inclinados à oração ou à ação? Como estamos encerrando este ano? Como caminhou a minha espiritualidade? E a minha presença na comunidade, na Igreja, como foi? Percebo algum progresso na minha santidade? Tenho colaborado com o crescimento das pessoas que convivem comigo?

Pe. Paulo Staut css

(Tema do VII Retiro Anual Provincial dos Leigos Estigmatinos)

Fonte: Texto para reflexão comunitária em preparação ao XXXV Capítulo Geral

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SOBRE CONQUISTAS E PERSPECTIVAS

Paróquias onde há presença da FABER

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Paróquia Sagrada Família - São Caetano do Sul
fundação: 23/01/92

Paróquia Santa Edwiges - Campinas
fundação: 27/02/1999

Paróquia Sant Antônio - Marília
fundação: 31/01/2000

Paróquia Imaculada Conceição - Itararé
fundação: 02/04/2000

Paróquia Santo Antônio - Praia Grande
fundação: 09/10/2000

Paróquia Santana - Comunidade São Gaspar Bertoni (Campinas)
fundação: 07/04/2001

Paróquia São Benedito - Barretos
fundação: 14/05/2001

Paróquia Santa Cruz - Rio Claro
fundação: 30/08/2001

Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Ribeirão Preto
fundação: 08/04/2002

Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho - Moóca (São Paulo)
fundação: 22/04/2003

Paróquia Santa Luzia - Vitória da Conquista
fundação: 13/03/2004

Paróquia Santana - Comunidade São José (Campinas)
fundação: 21/10/2004

         A experiência confirma que a presença de um confrade (padre, irmão ou seminarista) caminhando com os leigos é fundamental ao dinamismo do grupo, visto que imprime uma maior credibilidade ao projeto. Outro ponto forte da Faber são as datas estigmatinas. Estas, de modo geral, não passam despercebidas , posto que celebrá-las é sempre uma ocasião de colocar em comum o que somos e temos, divulgando nosso fundador.

         Com efeito, o retiro anual provincial é o momento mais esperado e concorrido. Infelizmente, a Fazenda Santana não possui uma infra-estrutura para acolher todos os que querem participar e, por isso, anualmente contamos com uma média de 110 leigos que conseguem garantir a presença. Para eles a fazenda é um paraíso. Todos se sentem em casa. Vivenciam com extrema seriedade o retiro e falam de São Gaspar como um modelo de santidade, um amigo, um grande intercessor.

         Em 2003, aprofundamos o tema “NADA TE IMPEÇAS DE ORAR SEMPRE”. Em 2004, reunimos representantes de todos os grupos em Praia Grande, para uma ampla revisão na caminhada dos últimos 5 anos. Em 2005 o tema foi “Monges em casa e apóstolos fora”.

         O retiro anual é uma oportunidade valiosíssima para clarear os aspectos fundamentais do projeto, pois, além do tempo reservado para a reflexão de um tema relacionado à nossa espiritualidade, sempre há um espaço para a partilha e avaliação da caminhada de cada grupo. Além deste retiro, cada grupo realiza o seu retiro ao longo do ano.

         Em algumas paróquias a Faber tem um representante no Conselho Paroquial de Pastoral que garante a programação das atividades do Calendário Paroquial.

         Pe. Paulo Roberto Sampaio Staut, juntamente com os leigos dos vários grupos, fez uma relação de alguns pontos observados durante este triênio e que merecerão especial consideração do próximo coordenador provincial e do próprio governo provincial.

1. Sem dúvida alguma, a presença de um confrade com os leigos é de uma relevância indiscutível para a Faber. Seria muito importante que a Província continuasse apoiando esta iniciativa, conscientizando a todos sobre a necessidade de estarmos juntos, assumindo com amor e dedicação algo que é nosso, um projeto verdadeiramente estigmatino.

2. Um dos desafios que sempre aparecia nas avaliações era a falta de disponibilidade de alguns leigos para a reunião mensal, por conta de atividades assumidas na paróquia. Esta situação ainda persiste, embora não seja generalizada. Freqüentemente, insistíamos no sentido de evitar a mudança do dia da reunião e realizá-la mesmo com a ausência de alguns. Reaparece aqui a importância do diretor espiritual para frisar a importância do encontro e a necessidade de colocá-lo como uma prioridade para todos.

3. A organização de um ROTEIRO TEMÁTICO anual continua nos desafiando, pois supõe a existência de uma equipe preparada para isso ou um confrade “quase liberado”. Mesmo que isto não represente um problema muito sério, visto que os leigos não deixam faltar a reflexão. Por outro lado, a existência de um subsídio atualizado e dinâmico seria um enriquecimento para todos.                                                           

4. De modo geral, os grupos são constituídos ou de casais ou de pessoas da terceira idade. A PRESENÇA DOS JOVENS ainda deixa a desejar. Não falta esforço por parte dos responsáveis, os quais estão sempre convidando os jovens para participar do projeto. Alguns conseguem trazer os jovens e ganham muito em termos de dinamismo. Deveremos insistir mais nesta aproximação com a juventude.

5. Atualmente, temos 12 grupos de leigos estigmatinos na Província Santa Cruz, sem contar a Delegação Chilena. A maioria tem uma média de 20 participantes. A perspectiva é de crescimento, pois em algumas paróquias já existem projetos de fundação de novos grupos.

6. Recentemente, Pe. Jordélio assumiu a animação da Faber na Província. A mudança de coordenação representa sempre possibilidades de novas metodologias, dinâmicas e prioridades. Agradecemos pelo seu sim à Faber e demonstraremos nosso apoio, procurando fazer a nossa parte da melhor maneira possível.

Comunicação

         Ressaltamos, com muita alegria, a periodicidade normal do informativo “Família Bertoniana”, que veiculou durante o triênio artigos e matérias para estudo e aprofundamento dos leigos. Tal publicação, assumida de corpo e alma pelos leigos, se traduziu como a melhor publicação desse gênero entre nós, estigmatinos brasileiros. Não poderíamos deixar de agradecer a coragem e dedicação da Sª. Rita Cássia Fadel Fava neste empreendimento, pelo qual engrandeceu e divulgou o nosso nome e espiritualidade. Igualmente, expressamos nossa gratidão ao casal Vicente e Teresa Lopes, da Paróquia São Benedito, e hoje residente em Dallas, nos Estados Unidos, que através da comunicação eletrônica dedica-se incansavelmente na divulgação de nossa obra e espiritualidade.

         Como vimos os leigos estigmatinos não estão parados e representam uma riqueza para nossa Província e Congregação. Podemos afirmar com tranqüilidade que os passos dados em vista da abertura do nosso carisma aos leigos significam uma valiosa conquista. De fato, reavivar este projeto em nível de Província foi um ato corajoso, pois não tínhamos uma direção clara e definida. Deixamo-nos guiar através das direções que Deus foi apontando, procurando encontrar o melhor caminho. Contemplando, hoje, as experiências conquistadas, o testemunho verdadeiro e alegre de diversos leigos, a movimentação destes pequenos grupos na Província e, olhando para frente, sentimos que uma só palavra resume tudo isso, ou seja: POSSIBILIDADES. Isto é, a FABER significa grandes possibilidades para nós; ela é uma esperança.

Diretor espiritual da FABER:  Pe. Paulo Staut css

Conselheiro Provincial: Pe. José Odail Pértile css


Amar, apesar de tudo...

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É noite, inverno... O vento sopra gelado trazendo notícias do mundo de lá... Contemplando a única estrela que consigo ver da janela de meu quarto... Vejo as árvores balançando seus galhos... O ipê rosa deixa-se balançar pelo vento e suas flores caem, como sementes lançadas à terra...

            No silêncio da noite rezo, medito... Olho mais uma vez a estrela que não pára de brilhar... tenho em minhas mãos papel e caneta... folhas em branco à espera de palavras, palavras humanas, palavras divinas, palavras de dor, palavras de amor... palavras... Assim é a nossa vida. Já dizia Fernão Capelo Gaivota: “Páginas em branco a espera de palavras eternas escritas por Deus”.

            Ao receber o convite para ser assessor e diretor espiritual da FABER, família bertoniana espalhada pela Província Santa Cruz, procurei rezar, silenciar, meditar, olhar de perto e de longe a caminhada da FABER até aqui. Ao fazer isso, pude contemplar a beleza de homens, mulheres, crianças e jovens, que se deixaram envolver pelo carisma estigmatino e pela espiritualidade bertoniana... Ouvi e meditei os lamentos de leigos e leigas que, nem sempre, são compreendidos e aceitos em nossas comunidades estigmatinas. Contraditório sim! Mas real. São humanos revelando seus desencontros...

            Meditei as conquistas celebradas pela FABER desde o seu nascimento nas terras e no coração dos que habitam nossa Província...

            Meditei as lutas, o trabalho de muitos que acreditam no carisma estigmatino, na espiritualidade bertoniana... de forma especial rendo graças ao Pe. Paulo Staut pelo trabalho realizado nos últimos anos...

            Mas, volto meus pensamentos e minha oração àquela estrela que brilha solitária no céu... e me pergunto. O que é a FABER? Como é a FABER? De onde vem a FABER? Para onde vai a FABER?

            Essas perguntas levam-me ao homem, ao sacerdote, ao fundador... São Gaspar Bertoni. Homem de fibra, sensível aos acontecimentos do seu tempo, conectado aos clamores da juventude, aberto às necessidades de homens, mulheres e sacerdotes. Que, em tempos de guerra, perderam as esperanças. Viram seus sonhos serem roubados, cortados pela espada do medo e do desrespeito... pisoteados pelos cavalos... É a guerra e o que ela produz! É o silêncio...

            Mas a vida é teimosa! Como foi e continua sendo no nordeste brasileiro... nas tribos indígenas que insistem em viver... nas famílias que marcham em busca de terra... nas mulheres que geram, parem e amamentam seus filhos nas ruas das grandes cidades, num cenário sem vida, sem cor, sem calor... A vida é teimosa! Foi e está sendo na guerra do Iraque... nas chacinas acontecidas em vários cantos do nosso país... nos presídios... Assim se mostrou na mãe, moradora da favela que visitei com os jovens do colégio em que trabalho, e que tendo sofrido com a morte de um dos seus filhos não quis passar de novo pelo mesmo drama. A mulher, ao ver a fome nos olhos dos outros filhos, tirou de seu braço um pedaço de carne para alimentá-los.

            Foi diante da teimosia da vida que Gaspar Bertoni abriu-se ao encontro com a realidade em que vivia e, abandonando-se inteiramente em Deus, tornou-se um apóstolo dos jovens, o missionário, o orientador espiritual de sacerdotes e leigos, o pastor, o companheiro, o líder, o fundador e criador de um Projeto de vida... Alicerçado na oração, na partilha dos dons, no trabalho diário, na simplicidade de vida, na música, no estudo, na fé compartilhada... Era o jovem, o homem Gaspar que, com a força e coragem de leão e asas de águia, alçava vôo serenamente ao encontro de Deus dentro de si e no rosto daqueles que encontrava pelo caminho...

            Na dor, na doença, não desistiu. Continuou sua missão, sofreu como quem simplesmente sofre... no sofrimento, amou como quem simplesmente ama... Amou apesar de tudo! Apesar da dor do corpo... da incompreensão... dos conflitos familiares... Amou apesar das lágrimas... da pouca comida... Amou apesar da falta de tudo e da plenitude do Tudo no nada que tinha... Amou sua vocação... Amou ao dizer “é preciso sofrer”... Ele sabia que quem ama, sofre... sofre as dores profundas do amor... quem ama não foge do sofrimento... quem ama e se sente amado entrega-se, abandona-se ao sofrimento e encontra nele o sentido da vida.

            Diante dessa meditação, olho novamente aquela estrela no céu e me pergunto mais uma vez: O que é a FABER? Como é? De onde vem? Pra onde vai?

            Ao fazer essas questões busco a identidade. O que é? Quem é? Procuro rever o seu método, o seu agir. Como é? Volto às suas origens, pois como dizia um colega baiano: “Quem nega as suas origens merece morrer!”. É preciso voltar às fontes da família bertoniana, que está na vida, no carisma, na espiritualidade do fundador. É voltando às fontes que podemos nos perguntar: para onde estamos indo? É preciso ter um projeto, um sonho. Sou orientador profissional de adolescentes e jovens e sei que, sem um sonho, sem projeto, não se consegue dar passos, ou seja, é como se diz por aí “qualquer caminho serve”. Para onde queremos levar os leigos e leigas que se aproximam de nós, do carisma estigmatino e da espiritualidade bertoniana? Penso que em curto prazo, o projeto da FABER é ajudar leigos e leigas a conhecerem o carisma e espiritualidade do fundador. Em médio prazo, envia-los em missão para anunciar e expandir aquilo que conheceram e contemplaram, em suas pastorais, famílias e comunidades. E em longo prazo, percorrer os caminhos da espiritualidade abandonando-se nos braços da Vida... no colo de Deus... Com a certeza de que é preciso amar, apesar de tudo! ...

Pe. Jordélio Siles Ledo css

Assessor e Diretor espiritual da FABER

 

“Já não tenho caminho novo, o que tenho de novo

é o jeito de caminhar”.

(Tiago de Melo)

 


Caminho percorrido pela FABER

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 1º semestre/2006:

 * Encontro - Marilia

 * Visitas Missionárias:

- Praia Grande

- Itararé

- São Caetano do Sul

- São José - Campinas

A percorrer...  2º semestre/2006:

16/07 - Encontro - Vitória da Conquista - BA 

06/08 - Retiro Campinas

27/08 - Retiro São Caetano

03/09 - Retiro Rio Claro

24/09 - Retiro Praia Grande

* Outras atividades serão marcadas com os coordenadores das FABERs.

 

Agendar:

Retiro Anual Provincial da FABER

Fazenda Santana

Data: 06, 07 e 08 de OUTUBRO

Taxa: R$30,00 por pessoa

Levar: - Bíblia

            - Caderno de anotações

            - Roupa de cama

   Coordenadores das FABERs deverão apresentar um relatório por escrito constando:

  - caminhos das FABERs,

  - Programação local,

  - nome e telefone de todos os membros.                               

            Enviar confirmação até 25/08/2006, via e-mail para:

  jordelioledo@yahoo.com.br

  ritacff@yahoo.com.br

...via correio para:

 Pe. Jordélio Siles Ledo css

 Rua Luzitana, 636 - centro - Campinas - SP

 Cep. 13015-120

 Rita Cássia Fadel Fava

 R. Antonio José Ribeiro Jr. 98 - ap. 121B

 Bonfim - Campinas - SP

 Cep. 13.070-728

 


ENCONTRO COM BERTONI

SANTO ABANDONO

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O espírito de santo abandono nas mãos de Deus, típico de São Gaspar Bertoni, floresce também em nossos dias.

            Vejamos o que aconteceu ao Édson Benedito Pinto, residente em São João da Boa Vista-SP., à rua Hermenegildo Dalcol, 317.

            Ele já estava habituado aos incômodos da quimioterapia desde que a metástase se tinha alastrado nos intestinos, no estômago e principalmente no fígado, onde o tumor maligno atingiu 17 por 13 centímetros, sem contar os 3 centímetros fora do fígado, e no pulmão (22 x 15 centímetros). Um caso irreversível.

            No dia 08/08/2003 Édson disse ao médico:

             - “Quero que o senhor seja franco comigo e não receie dizer-me a realidade do meu estado”.

            - “Meu amigo, o senhor tem no máximo 15 dias de vida”.

            Édson chama para perto de si a esposa, Suely Neyde, e lhe diz:

            - “Estou com os dias contados. Vamos pôr-nos em oração para que Maria me alcance de Jesus a graça de eu saber morrer com a dignidade de filho de Deus. Que eu me entregue nas mãos desse Deus, que nós dois pregamos aos outros”.

            Quimioterapia e muita oração (sem pedir a cura!) ultrapassaram os 15 dias, o fim de agosto e avançaram setembro adentro, com espanto dos médicos, que a 13 de setembro providenciaram nova radiografia, cuja leitura, diante das radiografias anteriores, mostraram algo de impossível para a ciência. Os médicos não podiam crer no que viam. Só dois dias depois chegaram ao quarto do paciente com a sentença final:

            - “O senhor não tem mais nada! Volte para casa.

            Alguém perguntou:

            - “Doutor, como é possível isso?

            - “Não sei. Pergunte a razão desse rosário que ele tem nas mãos.

            Uma farmacêutica protestante ali presente perguntou ao Édson:

            - “Vê-se que você é um homem de oração. Por que não pede diretamente a Jesus?

            - “Meus pedidos chegam bem a Jesus através da mãe dele. Jesus é o caminho para o Pai. E Maria é o caminho para Jesus.

            Édson e Suely retornaram seu apostolado na pastoral da família.

            Salomão orou pedindo sabedoria para governar bem o povo de Deus. Esta oração agradou ao Senhor, que lhe disse:

            - “Já que NÃO PEDISTE para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido... E DOU-TE TAMBÉM O QUE NÃO PEDISTE: as riquezas e a glória...” (1Rs 3, 5-14).

            A oração de Édson e Suely foi tão perfeita, que Deus lhes deu O QUE NÃO PEDIRAM.

Pe. Mário Zuchetto css

 


RECONHECENDO-NOS FILHOS DO MESMO PAI

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Caríssimos irmãos e irmãs da família estigmatina,

  Nós, padres capitulares, reunidos em Brasília-DF, nos dirigimos a vós como irmãos ou irmãs. Desejamos expressar a alegria por “nos sentirmos” parte de uma só e grande família, unida sob o nome e carisma de São Gaspar.

  À semelhança da vocação à vida religiosa estigmatina, ser “Leigos Estigmatinos” significa uma vocação e resposta ao chamado de Deus através do carisma estigmatino. Juntos, estamos com São Gaspar no caminho de santidade, irmanados na mesma missão que ele nos confiou: “ide, ensinai”.

  São Gaspar em seu ministério sacerdotal deu sempre espaço aos leigos e os valorizou. Reunia em sua própria casa os responsáveis pela organização dos Oratórios Marianos, a fim de prepará-los e dar-lhes formação profunda.

  Havia afluência contínua de todo tipo de gente ao quarto de Pe. Bertoni. “Todos os que tinham ouvido falar dele, em Verona e em outras cidades, o estimavam. Guardavam no coração seus sábios conselhos quando tinham necessidade de consultá-lo. Era sem limites sua ardente caridade para com os necessitados e sofredores. Muitos homens e mulheres poderiam testemunhá-lo se ainda estivem vivos. Eu mesmo tive a oportunidade de presenciar inúmeras pessoas que batiam freqüentemente à porta de sua casa para pedir-lhe ajuda e consolo. Ele acolhia a todos igualmente, pobres e ricos, sábios e iletrados, sempre com tranqüilidade, fisionomia serena, carinho e sabedoria de vida” (testemunho do sacerdote diocesano Pe. Giovanni Beltrame).

  Na homilia de canonização, em primeiro de novembro de 1989, o Papa João Paulo II disse, entre outras coisas: “... é altamente significativo notar que São Gaspar delineou um projeto de vida cristã, no qual previa o chamado à santidade para todas as pessoas, qualquer que fosse seu estado de vida: não só para os sacerdotes, mas para os membros da família sob o exemplo dos Santos Esposos de Nazaré, para os jovens, para trabalhadores e para qualquer categoria de pessoas. Seus amigos, os “Missionários Apostólicos”, em comunhão de vida pastoral com os Bispos, deviam pregar a vocação universal à santidade, com a consciência de que do sacrifício de Cristo, do seu Coração misericordioso, dassua chagas jorrava esperança para todos. São Gaspar soube conduzir muitas pessoas a fazer parte da “imensa multidão” dos santos e santas, que contemplamos com o coração exultante e cheio de gratidão (Cf. Ap 7,9)”.

  “Muitos amigos ficaram atraídos por nossa espiritualidade e cooperaram com nossas atividades. À colaboração deles deve-se o sucesso de muitas atividades e obras nossas. Dela também dependeu, em grande parte, nossa expansão missionária. A “missão apostólica” exige abertura da Congregação à colaboração dos leigos. O Capítulo Geral julga, portanto, que nosso carisma, sendo um verdadeiro dom e uma riqueza para todo o povo de Deus, deva ser partilhado também com os leigos. A espiritualidade estigmatina não tolhe o que é específico dos leigos, e ainda os ajuda a cumprir com disposição fervorosa seus compromissos como cristãos dentro das realidades temporais (família, trabalho, sociedade) e no âmbito eclesial.

  Todos os confrades devem-se motivar, sentir-se entusiasmados e incentivados à acolher os leigos, porque o futuro e a renovação de nossas atividades dependem também da abertura a eles. Se, por um lado, isso traz grande proveito para os leigos, por outro, a possibilidade de verificar nossa identidade acarreta grande auxílio para nós estigmatinos, por receber ajuda e estímulo em nosso ministério apostólico.” (Capítulo Geral de 1988).

  “Alguns leigos que estão ao nosso lado pedem para partilhar de nosso carisma. Para eles a Congregação está convidada a organizar um projeto formativo de acompanhamento” (Capítulo Geral de 2006).

  Queremos manifestar nosso agradecimento por nos ajudardes com nossa vocação estigmatina.

  Pedimos vossa cooperação na leitura cada vez mais profética, quer dos sinais dos tempos, que do anseio dos povos pela justiça,pela paz e pela conservação da natureza. Nós vos pedimos que respondam sempre generosamente à missão de anunciar o Evangelho na sociedade, na vida política, na economia e em todas as realidades temporais.

  Acatamos com satisfação o que alguns de vós têm escrito. “Possamos construir clima saudável e afetuoso, em que cada um se sinta amado pela comunidade quer o circunda. Juntos, devemos formar uma comunidade fraterna, caracterizada pela sobriedade, porque capaz de confiar na Providencia e de discernir os verdadeiros valores da vida.” (cf. Assembléia dos Leigos Estigmatinos, Verona, 2005).

  Durante o Capítulo Geral nos debruçamos sobre nossa identidade estigmatina à luz de um convite feito a nós Religiosos: “Monges em casa, apóstolos fora”. Pedimos que continueis a nos acompanhar com vossa oração e com vossa amizade, para que possamos ser cada vez mais coerentes com nossas opções.

  Os Santos Esposos Maria e José, em sua realidade conjugal e familiar, estão presentes em nossa caminhada bertoniana. Que nos ajudem a viver nossa vocação batismal e de consagração religiosa através do “santo abandono” e da confiança filial ao Pai.

  Saudações em Cristo e Bertoni.

Padres capitulares estigmatinos

Brasília, 14 de fevereiro de 2006

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