INFORMATIVO DOS LEIGOS
ESTIGMATINOS
Julho - Agosto - Ano VI - nº 42 - ESPECIAL
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ÍNDICE COM LINKS
“Monges em casa e apóstolos fora”
Sobre as conquistas e perspectivas
Reconhecendo-nos Filhos do mesmo Pai
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“O filho pródigo”
volta ao índice
O informativo está de volta! Com muita alegria ele segue sua
vocação...
Muitas
coisas boas aconteceram durante esse retiro. Foi muito prazeroso constatar como
ele é aguardado por muitos, que, ligando ou enviando e-mails,
demonstraram interesse pela razão de sua ausência. Fico grata pelo
carinho de todos, em especial à FABER/Itararé pela fidelidade e
zelo a esse informativo, que sempre envia uma matéria anexa à sua
contribuição financeira. Peço-lhe desculpa e sua
compreensão por não publicá-las nesta
edição.
Bom,
todos já sabem que o Pe. Jordélio
Siles Ledo é nosso novo diretor espiritual. Saibam também que ele
chegou muito entusiasmado! Já pôs a “mão na
massa“ e tem também muitos projetos para a FABER!
Seja
bem-vindo ao nosso meio Pe. Jordélio
e saboreie a calorosa acolhida, característica também dos leigos estigmatinos! Deus o abençoe nessa nova jornada e
São Gaspar interceda em favor do sucesso de seus planos!
É...
Nem sempre estamos atentos aos planos que Deus tem para nós! “Nem
podemos imaginar as grandezas que Deus realizaria em nós e por
nós se não dificultássemos a ação de Sua
graça, mas nos colocássemos livre e inteiramente em suas
mãos” (São Gaspar).
Uma prova disso, em nossos dias, é o que presenciou Pe. Mário Zuchetto.
Vocês
se lembram que durante todo o ano passado rezamos pelo Capítulo Geral?
Ocorreu em Brasília, em fevereiro e, entre outras coisas, dele resultou
uma carta dirigida aos leigos estigmatinos. Sintam a
sua intensidade.
Em
maio, também estivemos
Os
ventos sopram em nosso favor!
Deus
sempre favorece aqueles que O buscam
De
fato, é grande nossa conquista e, ainda ao olhar para frente, vemos que,
como disse o Pe. Paulo, as possibilidades ainda
são muitas. O terreno é fértil e estamos bem firmes em
nossos propósitos. Porém, um de nossos maiores sonhos ainda
não foi concretizado: o envolvimento da juventude na FABER! Em nome de
todas as FABERs ouso assumir
o compromisso de realizá-lo muito em breve! Conto com esforço de
todos! Lembrem-se: os desafios sempre nos impulsionaram!
Ao
Pe. Paulo Staut - o grande
motivador da FABER (como disse Pe. Mariani) - nossa
eterna gratidão por tudo que nos transmitiu durante todos estes anos
caminhando conosco e pelos exemplos deixados. Entre eles, o reconhecimento,
carinho e respeito pela sua família religiosa e seu amor pelo
“pai” São Gaspar. Também, pelo seu positivismo,
dinamismo, perseverança, entusiasmo... Que as
bênçãos de Deus e a intercessão de São Gaspar
o acompanhem sempre em seu caminho!
RITA
PERSPECTIVAS
“Monges em casa e
apóstolos fora”
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Este foi o tema aprofundado por
toda a nossa congregação em vista da preparação ao
Capítulo Geral de janeiro de 2006. Embora esta frase não seja de
São Gaspar, ela passou a fazer parte do espírito estigmatino, da nossa tradição, da nossa
história e, portanto, do nosso jeito de ser. Em poucas palavras, ela tem
a ver com nossa identidade estigmatina. Pode-se afirmar que é a melhor
maneira de dizer o que estava no coração de São Gaspar
quando ele passou a sonhar com esta família religiosa à qual
nós pertencemos. Uma coisa é certa: mergulhando em cada palavra
contida nesta frase e contemplando os propósitos de Bertoni, chegamos a conclusão de que duas são as colunas que
sustentam o nosso INSTITUTO RELIGIOSO, a saber: a contemplação
-(MONGES EM CASA) e a ação (APÓSTOLOS FORA). É
interessante observar como nosso fundador conseguiu unir estes dois pilares da
autêntica vida cristã: ESPIRITUALIDADE E MISSÃO, pois
“para o nosso fundador a fecundidade da Missão Apostólica
está na força do Espírito”. Isso significa que a
missão nasce de uma profunda VIDA INTERIOR - FAMILIARIDADE COM DEUS.
Vejamos
alguns pensamentos bertonianos que reforçam o
que estamos aprofundando:
“A vida ativa não é suficiente
para servir a Cristo; ela necessita da ajuda da vida contemplativa”
(manuscritos do Bertoni). “Quando não se reza bem antes,
não se pode falar bem nem mesmo de Deus” (Memorial Privado).
“Frequentemente temos o Senhor nos lábios para dá-Lo aos
outros, mas pouco nos preocupamos em tê-Lo no
CORAÇÃO” (Memorial Privado). Resumindo: não
há outro caminho senão a UNIÃO COM DEUS. Sem ela
caímos numa vida apostólica digna de compaixão.
Tornamo-nos anunciadores entusiasmados, mas... extremamente
vaidosos. Belíssimos pregadores, mas... péssimas
testemunhas. Palavras bonitas e frases bem feitas, mas... sem
as cores da SANTIDADE. Muita movimentação, muito ativismo, muitas
correrias, mas... pouco silêncio, pouco deserto,
pouco confronto com a Palavra de Deus, pouco RECOLHIMENTO. Grande
exaltação de si mesmo, mas... pouca
cruz. Estes são sinais de que o “CRISTO AINDA
NÃO HABITA EM MIM”, ou seja, está faltando REPRODUZIR
O
que podemos concluir com isso?
1 - O missionário, se não é
contemplativo, não pode anunciar Cristo de modo verdadeiro; 2 - Sem uma
vida interior de amor que atraia a si o Verbo, o Pai e o Espírito,
não pode haver um olhar de fé; 3 - Uma autêntica vida
espiritual exige que dediquemos, todos os dias, momentos apropriados para
aprofundarmos o diálogo silencioso com Aquele por quem sabemos ser
amados, a fim de partilhar com Ele a própria vida e receber força
para a caminhada cotidiana; 4 - “Como o ramo não pode dar fruto
por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também
vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em
mim”. (Jo 15,4); 5 - A oração nos
une a Deus, enche-nos de coragem, luz e força.
Se o Senhor não nos assistir, nossas palavras desaparecerão no
vento; ela é a chave dos tesouros de Deus (S. Gaspar); 6 - A
missão tem origem no encontro com o Cristo vivo, presente na Eucaristia,
na Palavra e no próximo. Os encontros com o Cristo vivo, registrados nos
Evangelhos, são sempre fonte de missão; 7 - Do encontro com o
Cristo vivo pela fé, pela oração, pela eucaristia, nasce a santidade de vida. Sem santidade de vida, também
não existe missão. Os grandes missionários foram
também grandes santos. É o Espírito que nos leva à
missão. Ele é também o primeiro missionário, aquele
que chega antes de todos para preparar o terreno. Sem ele a missão
não se realiza. Foi o próprio Cristo quem anunciou: “Sereis
revestidos de uma força do Alto, para serdes minhas testemunhas em
Jerusalém, na Samaria e até os confins
da Terra” (At 1,8).
Na
verdade, estamos sendo convidados a olhar para nossa vida de “estigmatinos” e verificar como está o nosso
progresso como cristãos que querem viver o batismo à luz dos
ensinamentos de Gaspar. A propósito, esta é a
intenção do RETIRO ANUAL -OLHAR PARA
SÃO GASPAR E OLHAR PARA NÓS. Hoje faremos a
experiência “Monges em Casa”. Sabemos que não é
fácil parar. Evitamos ficar em silêncio na presença do
Senhor. Parece que isso nos incomoda muito. Quanto mais nos aproximamos da LUZ
mais nos damos conta das nossas sombras. É por isso que ouvir a voz de
Deus nem sempre é agradável. Fugir deste confronto não
é a mesma coisa que fugir de nós mesmos? Como saber se estamos caminhando na direção certa
senão através deste encontro com aquele que tudo sabe, autor de
tudo e Senhor da Vida? Bem dizia São Gaspar: “Os que são
muito inclinados a ação devem ser
alertados para a oração; os que se apegam demais à
oração convém impeli-los à
ação”. O equilíbrio é fundamental. Nem tanto
o mar nem tanto a terra.
E
nós, com estamos na nossa espiritualidade e na nossa vida
apostólica? Estamos mais inclinados à oração ou
à ação? Como estamos encerrando este ano? Como caminhou a
minha espiritualidade? E a minha presença na comunidade, na Igreja, como
foi? Percebo algum progresso na minha santidade? Tenho colaborado com o
crescimento das pessoas que convivem comigo?
Pe. Paulo Staut css
(Tema do VII Retiro Anual Provincial dos
Leigos Estigmatinos)
Fonte: Texto para reflexão comunitária em
preparação ao XXXV Capítulo Geral
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SOBRE CONQUISTAS E PERSPECTIVAS
Paróquias onde há presença da FABER
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Paróquia Sagrada Família - São Caetano do Sul
fundação: 23/01/92
Paróquia Santa Edwiges - Campinas
fundação: 27/02/1999
Paróquia Sant Antônio - Marília
fundação: 31/01/2000
Paróquia Imaculada Conceição - Itararé
fundação: 02/04/2000
Paróquia Santo Antônio - Praia Grande
fundação: 09/10/2000
Paróquia Santana - Comunidade São Gaspar Bertoni (Campinas)
fundação: 07/04/2001
Paróquia São Benedito - Barretos
fundação: 14/05/2001
Paróquia Santa Cruz - Rio Claro
fundação: 30/08/2001
Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Ribeirão Preto
fundação: 08/04/2002
Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho - Moóca (São Paulo)
fundação: 22/04/2003
Paróquia Santa Luzia - Vitória da Conquista
fundação: 13/03/2004
Paróquia Santana - Comunidade São José (Campinas)
fundação: 21/10/2004
A
experiência confirma que a presença de um confrade (padre,
irmão ou seminarista) caminhando com os leigos é fundamental ao
dinamismo do grupo, visto que imprime uma maior credibilidade ao projeto. Outro
ponto forte da Faber
são as datas estigmatinas.
Estas, de modo geral, não passam despercebidas , posto que
celebrá-las é sempre uma ocasião de colocar em comum o que
somos e temos, divulgando nosso fundador.
Com
efeito, o retiro anual provincial é o momento mais esperado e
concorrido. Infelizmente, a Fazenda Santana não possui uma
infra-estrutura para acolher todos os que querem participar e, por isso,
anualmente contamos com uma média de 110 leigos que conseguem garantir a
presença. Para eles a fazenda é um paraíso. Todos se
sentem
Em
2003, aprofundamos o tema “NADA TE IMPEÇAS DE ORAR
SEMPRE”. Em 2004, reunimos representantes de todos os
grupos
O
retiro anual é uma oportunidade valiosíssima para clarear os
aspectos fundamentais do projeto, pois, além do tempo reservado para a
reflexão de um tema relacionado à nossa espiritualidade, sempre
há um espaço para a partilha e avaliação da
caminhada de cada grupo. Além deste retiro, cada grupo realiza o seu
retiro ao longo do ano.
Em
algumas paróquias a Faber
tem um representante no Conselho Paroquial de Pastoral que garante a
programação das atividades do Calendário Paroquial.
Pe. Paulo Roberto Sampaio Staut, juntamente com os leigos
dos vários grupos, fez uma relação de alguns pontos
observados durante este triênio e que merecerão especial
consideração do próximo coordenador provincial e do
próprio governo provincial.
1. Sem
dúvida alguma, a presença de um confrade com os leigos é
de uma relevância indiscutível para a Faber. Seria muito importante que a Província
continuasse apoiando esta iniciativa, conscientizando a todos sobre a
necessidade de estarmos juntos, assumindo com amor e dedicação
algo que é nosso, um projeto verdadeiramente estigmatino.
2. Um dos
desafios que sempre aparecia nas avaliações era a falta de
disponibilidade de alguns leigos para a reunião mensal, por conta de
atividades assumidas na paróquia. Esta situação ainda
persiste, embora não seja generalizada. Freqüentemente,
insistíamos no sentido de evitar a mudança do dia da reunião
e realizá-la mesmo com a ausência de alguns. Reaparece aqui a
importância do diretor espiritual para frisar a importância
do encontro e a necessidade de colocá-lo como uma prioridade para todos.
4. De modo
geral, os grupos são constituídos ou de casais ou de pessoas da
terceira idade. A PRESENÇA DOS JOVENS ainda deixa a desejar.
Não falta esforço por parte dos responsáveis, os quais
estão sempre convidando os jovens para participar do projeto. Alguns
conseguem trazer os jovens e ganham muito em termos de dinamismo. Deveremos
insistir mais nesta aproximação com a juventude.
5. Atualmente,
temos 12 grupos de leigos estigmatinos na
Província Santa Cruz, sem contar a Delegação
Chilena. A maioria tem uma média de 20 participantes. A perspectiva
é de crescimento, pois em algumas paróquias já existem
projetos de fundação de novos grupos.
6. Recentemente,
Pe. Jordélio assumiu a animação da Faber na Província. A
mudança de coordenação representa sempre possibilidades de
novas metodologias, dinâmicas e prioridades. Agradecemos pelo seu sim
à Faber e
demonstraremos nosso apoio, procurando fazer a nossa parte da melhor maneira
possível.
Comunicação
Ressaltamos,
com muita alegria, a periodicidade normal do informativo “Família Bertoniana”, que veiculou
durante o triênio artigos e matérias para estudo e aprofundamento
dos leigos. Tal publicação, assumida de corpo e alma pelos
leigos, se traduziu como a melhor publicação desse gênero
entre nós, estigmatinos
brasileiros. Não poderíamos deixar de agradecer a coragem e
dedicação da Sª. Rita Cássia Fadel
Fava neste empreendimento, pelo qual engrandeceu e divulgou o nosso nome e
espiritualidade. Igualmente, expressamos nossa gratidão ao casal Vicente
e Teresa Lopes, da
Como vimos os leigos estigmatinos
não estão parados e representam uma riqueza para nossa
Província e Congregação. Podemos afirmar com
tranqüilidade que os passos dados em vista da abertura do nosso carisma
aos leigos significam uma valiosa conquista. De fato, reavivar este projeto em
nível de Província foi um ato corajoso, pois não
tínhamos uma direção clara e definida. Deixamo-nos guiar
através das direções que Deus foi apontando, procurando
encontrar o melhor caminho. Contemplando, hoje, as experiências
conquistadas, o testemunho verdadeiro e alegre de diversos leigos, a
movimentação destes pequenos grupos na Província e,
olhando para frente, sentimos que uma só palavra resume tudo isso, ou
seja: POSSIBILIDADES. Isto é, a FABER significa grandes possibilidades
para nós; ela é uma esperança.
Diretor espiritual da FABER: Pe. Paulo Staut css
Conselheiro Provincial: Pe.
José Odail Pértile
css
Amar, apesar de tudo...
volta ao índice
É noite, inverno... O vento sopra
gelado trazendo notícias do mundo de lá... Contemplando a
única estrela que consigo ver da janela de meu quarto... Vejo as
árvores balançando seus galhos... O ipê rosa deixa-se
balançar pelo vento e suas flores caem, como sementes lançadas à terra...
No
silêncio da noite rezo, medito... Olho mais uma vez a estrela que
não pára de brilhar... tenho em minhas
mãos papel e caneta... folhas em branco
à espera de palavras, palavras humanas, palavras divinas, palavras de
dor, palavras de amor... palavras... Assim é a
nossa vida. Já dizia Fernão Capelo Gaivota:
“Páginas em branco a espera de palavras
eternas escritas por Deus”.
Ao
receber o convite para ser assessor e diretor espiritual da FABER,
família bertoniana espalhada pela
Província Santa Cruz, procurei rezar, silenciar, meditar, olhar de perto
e de longe a caminhada da FABER até aqui. Ao fazer isso, pude contemplar
a beleza de homens, mulheres, crianças e jovens, que se deixaram
envolver pelo carisma estigmatino e pela
espiritualidade bertoniana... Ouvi e meditei os
lamentos de leigos e leigas que, nem sempre,
são compreendidos e aceitos em nossas comunidades estigmatinas.
Contraditório sim! Mas real. São humanos revelando seus
desencontros...
Meditei
as conquistas celebradas pela FABER desde o seu nascimento nas terras e no
coração dos que habitam nossa Província...
Meditei
as lutas, o trabalho de muitos que acreditam no carisma estigmatino,
na espiritualidade bertoniana... de
forma especial rendo graças ao Pe. Paulo Staut pelo trabalho realizado nos últimos anos...
Mas,
volto meus pensamentos e minha oração àquela estrela que
brilha solitária no céu... e me
pergunto. O que é a FABER? Como é a FABER? De onde vem a FABER?
Para onde vai a FABER?
Essas
perguntas levam-me ao homem, ao sacerdote, ao fundador... São Gaspar
Bertoni. Homem de fibra, sensível aos acontecimentos do seu tempo,
conectado aos clamores da juventude, aberto às necessidades de homens,
mulheres e sacerdotes. Que, em tempos de guerra, perderam as esperanças.
Viram seus sonhos serem roubados, cortados pela espada
do medo e do desrespeito... pisoteados pelos
cavalos... É a guerra e o que ela produz! É o silêncio...
Mas
a vida é teimosa! Como foi e continua sendo no nordeste brasileiro... nas tribos indígenas que insistem em viver... nas famílias que marcham em busca de terra... nas mulheres que geram, parem e amamentam seus filhos nas
ruas das grandes cidades, num cenário sem vida, sem cor, sem calor... A
vida é teimosa! Foi e está sendo na guerra do Iraque... nas chacinas acontecidas em vários cantos do nosso
país... nos presídios... Assim se
mostrou na mãe, moradora da favela que visitei com os jovens do
colégio em que trabalho, e que tendo sofrido com a morte de um dos seus
filhos não quis passar de novo pelo mesmo drama. A mulher, ao ver a fome
nos olhos dos outros filhos, tirou de seu braço um pedaço de
carne para alimentá-los.
Foi
diante da teimosia da vida que Gaspar Bertoni abriu-se ao encontro com a
realidade em que vivia e, abandonando-se inteiramente em Deus, tornou-se um
apóstolo dos jovens, o missionário, o orientador espiritual de
sacerdotes e leigos, o pastor, o companheiro, o líder, o fundador e
criador de um Projeto de vida... Alicerçado na oração, na
partilha dos dons, no trabalho diário, na simplicidade de vida, na
música, no estudo, na fé compartilhada... Era o jovem, o homem
Gaspar que, com a força e coragem de leão e asas de águia,
alçava vôo serenamente ao encontro de Deus dentro de si e no rosto
daqueles que encontrava pelo caminho...
Na
dor, na doença, não desistiu. Continuou sua missão, sofreu
como quem simplesmente sofre... no sofrimento, amou
como quem simplesmente ama... Amou apesar de tudo! Apesar da dor do corpo... da incompreensão... dos
conflitos familiares... Amou apesar das lágrimas... da
pouca comida... Amou apesar da falta de tudo e da plenitude do Tudo no nada que
tinha... Amou sua vocação... Amou ao dizer “é
preciso sofrer”... Ele sabia que quem ama, sofre... sofre
as dores profundas do amor... quem ama não foge
do sofrimento... quem ama e se sente amado entrega-se,
abandona-se ao sofrimento e encontra nele o sentido da vida.
Diante
dessa meditação, olho novamente aquela estrela no céu e me
pergunto mais uma vez: O que é a FABER? Como é? De onde vem? Pra
onde vai?
Ao
fazer essas questões busco a identidade. O que é? Quem
é? Procuro rever o seu método, o seu agir. Como é?
Volto às suas origens, pois como dizia um colega baiano:
“Quem nega as suas origens merece morrer!”. É preciso voltar
às fontes da família bertoniana, que
está na vida, no carisma, na espiritualidade do fundador. É
voltando às fontes que podemos nos perguntar: para onde estamos indo?
É preciso ter um projeto, um sonho. Sou orientador
profissional de adolescentes e jovens e sei que, sem um sonho, sem
projeto, não se consegue dar passos, ou seja, é como se diz por
aí “qualquer caminho serve”. Para onde queremos levar os leigos e leigas que se aproximam de nós, do
carisma estigmatino e da espiritualidade bertoniana? Penso que em curto prazo, o projeto da FABER
é ajudar leigos e leigas a conhecerem o carisma
e espiritualidade do fundador. Em médio prazo, envia-los em
missão para anunciar e expandir aquilo que conheceram e contemplaram, em
suas pastorais, famílias e comunidades. E em longo prazo, percorrer os
caminhos da espiritualidade abandonando-se nos braços da Vida... no colo de Deus... Com a certeza de que é preciso
amar, apesar de tudo! ...
Pe. Jordélio Siles Ledo
css
Assessor e Diretor espiritual da FABER
“Já não
tenho caminho novo, o que tenho de novo
é o jeito de caminhar”.
(Tiago de Melo)
Caminho percorrido pela FABER
volta ao índice
1º semestre/2006:
* Encontro - Marilia
* Visitas Missionárias:
-
Praia Grande
-
Itararé
-
São Caetano do Sul
-
São José - Campinas
A percorrer... 2º
semestre/2006:
16/07
- Encontro - Vitória da Conquista - BA
06/08
- Retiro Campinas
27/08
- Retiro São Caetano
03/09
- Retiro Rio Claro
24/09
- Retiro Praia Grande
*
Outras atividades serão marcadas com os coordenadores das FABERs.
Agendar:
Retiro Anual Provincial da FABER
Fazenda Santana
Data: 06, 07 e 08 de OUTUBRO
Taxa: R$30,00 por pessoa
Levar: - Bíblia
- Caderno de anotações
- Roupa de cama
Coordenadores das FABERs
deverão apresentar um relatório por escrito constando:
- caminhos das FABERs,
- Programação local,
-
nome e telefone de todos os membros.
Enviar
confirmação até 25/08/2006, via e-mail para:
jordelioledo@yahoo.com.br
ritacff@yahoo.com.br
...via correio para:
Pe. Jordélio
Siles Ledo css
Rua Luzitana, 636 - centro - Campinas - SP
Cep.
13015-120
Rita
Cássia Fadel Fava
R. Antonio José Ribeiro Jr. 98 - ap. 121B
Bonfim - Campinas - SP
Cep.
13.070-728
ENCONTRO COM BERTONI SANTO ABANDONO volta ao índice
O
espírito de santo abandono nas mãos de Deus, típico de
São Gaspar Bertoni, floresce também em nossos dias.
Vejamos
o que aconteceu ao Édson Benedito Pinto, residente
Ele
já estava habituado aos incômodos da quimioterapia desde que a
metástase se tinha alastrado nos intestinos, no estômago e
principalmente no fígado, onde o tumor maligno atingiu 17 por
No
dia 08/08/2003 Édson disse ao médico:
- “Quero que o senhor seja franco
comigo e não receie dizer-me a realidade do meu estado”.
-
“Meu amigo, o senhor tem no máximo 15 dias de vida”.
Édson
chama para perto de si a esposa, Suely Neyde, e lhe
diz:
-
“Estou com os dias contados. Vamos pôr-nos em oração
para que Maria me alcance de Jesus a graça de eu saber morrer com a
dignidade de filho de Deus. Que eu me entregue nas mãos desse Deus, que
nós dois pregamos aos outros”.
Quimioterapia
e muita oração (sem pedir a cura!) ultrapassaram os 15 dias, o
fim de agosto e avançaram setembro adentro, com espanto dos
médicos, que a 13 de setembro providenciaram nova radiografia, cuja
leitura, diante das radiografias anteriores, mostraram
algo de impossível para a ciência. Os médicos não
podiam crer no que viam. Só dois dias depois chegaram ao quarto do
paciente com a sentença final:
-
“O senhor não tem mais nada! Volte para casa.”
Alguém
perguntou:
-
“Doutor, como é possível isso?”
-
“Não sei. Pergunte a razão desse rosário que ele tem
nas mãos.”
Uma farmacêutica protestante ali presente perguntou ao
Édson:
-
“Vê-se que você é um homem de oração.
Por que não pede diretamente a Jesus?”
-
“Meus pedidos chegam bem a Jesus através da mãe dele. Jesus
é o caminho para o Pai. E Maria é o caminho para Jesus.”
Édson
e Suely retornaram seu apostolado na pastoral da família.
Salomão
orou pedindo sabedoria para governar bem o povo de Deus. Esta
oração agradou ao Senhor, que lhe disse:
-
“Já que NÃO PEDISTE para ti longos anos de vida, nem
riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria
para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido... E DOU-TE
TAMBÉM O QUE NÃO PEDISTE: as riquezas e a glória...”
(1Rs 3, 5-14).
A
oração de Édson e Suely foi tão perfeita, que Deus
lhes deu O QUE NÃO PEDIRAM.
Pe. Mário Zuchetto css
RECONHECENDO-NOS FILHOS DO MESMO PAI
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Caríssimos irmãos e irmãs da
família estigmatina,
Nós, padres capitulares, reunidos em Brasília-DF, nos
dirigimos a vós como irmãos ou irmãs. Desejamos expressar
a alegria por “nos sentirmos” parte de uma só e grande
família, unida sob o nome e carisma de São Gaspar.
À
semelhança da vocação à vida religiosa estigmatina,
ser “Leigos Estigmatinos” significa uma
vocação e resposta ao chamado de Deus através do carisma estigmatino. Juntos, estamos com São Gaspar no
caminho de santidade, irmanados na mesma missão que ele nos confiou:
“ide, ensinai”.
São Gaspar em seu ministério sacerdotal deu sempre
espaço aos leigos e os valorizou. Reunia em sua própria casa os
responsáveis pela organização dos Oratórios
Marianos, a fim de prepará-los e dar-lhes formação
profunda.
Havia
afluência contínua de todo tipo de gente ao quarto de Pe. Bertoni. “Todos os que tinham ouvido falar dele,
em Verona e em outras cidades, o estimavam. Guardavam no coração
seus sábios conselhos quando tinham necessidade de consultá-lo.
Era sem limites sua ardente caridade para com os necessitados e sofredores.
Muitos homens e mulheres poderiam testemunhá-lo se ainda estivem vivos.
Eu mesmo tive a oportunidade de presenciar inúmeras pessoas que batiam
freqüentemente à porta de sua casa para pedir-lhe ajuda e consolo.
Ele acolhia a todos igualmente, pobres e ricos, sábios e iletrados,
sempre com tranqüilidade, fisionomia serena, carinho e sabedoria de vida”
(testemunho do sacerdote diocesano Pe. Giovanni Beltrame).
Na
homilia de canonização, em primeiro de novembro de 1989, o Papa
João Paulo II disse, entre outras coisas: “... é altamente
significativo notar que São Gaspar delineou um projeto de vida
cristã, no qual previa o chamado à santidade para todas as
pessoas, qualquer que fosse seu estado de vida: não só para os
sacerdotes, mas para os membros da família sob o exemplo dos Santos
Esposos de Nazaré, para os jovens, para trabalhadores e para qualquer
categoria de pessoas. Seus amigos, os “Missionários
Apostólicos”, em comunhão de vida pastoral com os Bispos,
deviam pregar a vocação universal à santidade, com a
consciência de que do sacrifício de Cristo, do seu Coração
misericordioso, dassua chagas jorrava
esperança para todos. São Gaspar soube conduzir muitas pessoas a
fazer parte da “imensa multidão” dos santos e santas, que
contemplamos com o coração exultante e cheio de gratidão
(Cf. Ap 7,9)”.
“Muitos amigos ficaram atraídos por nossa
espiritualidade e cooperaram com nossas atividades. À
colaboração deles deve-se o sucesso de muitas atividades e obras
nossas. Dela também dependeu, em grande parte, nossa expansão
missionária. A “missão apostólica” exige
abertura da Congregação à colaboração dos
leigos. O Capítulo Geral julga, portanto, que nosso carisma, sendo um
verdadeiro dom e uma riqueza para todo o povo de Deus, deva ser partilhado
também com os leigos. A espiritualidade estigmatina não tolhe o
que é específico dos leigos, e ainda os ajuda a cumprir com
disposição fervorosa seus compromissos como cristãos
dentro das realidades temporais (família, trabalho, sociedade) e no
âmbito eclesial.
Todos os
confrades devem-se motivar, sentir-se entusiasmados e incentivados à acolher os leigos, porque o futuro e a
renovação de nossas atividades dependem também da abertura
a eles. Se, por um lado, isso traz grande proveito para os
leigos, por outro, a possibilidade de verificar nossa identidade acarreta
grande auxílio para nós estigmatinos,
por receber ajuda e estímulo em nosso ministério
apostólico.” (Capítulo Geral de 1988).
“Alguns leigos que estão ao nosso lado pedem para partilhar
de nosso carisma. Para eles a Congregação está convidada a
organizar um projeto formativo de acompanhamento” (Capítulo Geral
de 2006).
Queremos
manifestar nosso agradecimento por nos ajudardes com nossa
vocação estigmatina.
Pedimos
vossa cooperação na leitura cada vez mais profética, quer
dos sinais dos tempos, que do anseio dos povos pela justiça,pela
paz e pela conservação da natureza. Nós vos pedimos que
respondam sempre generosamente à missão de anunciar o Evangelho
na sociedade, na vida política, na economia e em todas as realidades
temporais.
Acatamos
com satisfação o que alguns de vós têm
escrito. “Possamos construir clima saudável e afetuoso, em que
cada um se sinta amado pela comunidade quer o circunda. Juntos, devemos formar
uma comunidade fraterna, caracterizada pela sobriedade, porque capaz de confiar
na Providencia e de discernir os verdadeiros valores da vida.” (cf.
Assembléia dos Leigos Estigmatinos, Verona,
2005).
Durante
o Capítulo Geral nos debruçamos sobre nossa identidade
estigmatina à luz de um convite feito a nós Religiosos:
“Monges em casa, apóstolos fora”. Pedimos que continueis a
nos acompanhar com vossa oração e com vossa amizade, para que
possamos ser cada vez mais coerentes com nossas opções.
Os
Santos Esposos Maria e José, em sua realidade conjugal e familiar,
estão presentes em nossa caminhada bertoniana.
Que nos ajudem a viver nossa vocação batismal e de consagração
religiosa através do “santo abandono” e da confiança
filial ao Pai.
Saudações em Cristo e Bertoni.
Padres capitulares estigmatinos
Brasília, 14 de fevereiro de 2006
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